• Patricia Brandão

Galeria Nara Roesler apresenta primeira exposição individual de JR no Brasil


A sede carioca da Galeria Nara Roesler apresenta nesta quinta-feira (21/11) a exposição Patamar, primeira mostra individual do aclamado artista francês JR no Brasil, com trabalhos que tratam da questão dos fluxos migratórios atuais ao redor do mundo.

Conhecido principalmente por seus projetos de arte urbana de grande escala, JR já espalhou sua arte em edifícios do subúrbio francês, em muros do Oriente Médio, em pontes e trens na África e em favelas do Brasil. Sua produção cria conexões e aproxima pessoas em locais de conflito ou vulnerabilidade social, onde atores e espectadores da cena artística se confundem. Compõem também a mostra desdobramentos das ações da série “Giants”realizadas por JR no Rio de Janeiro em 2016, durante as Olimpíadas. Nela, o artista retratou atletas imigrantes e criou esculturas gigantes com andaimes, que davam ênfase ao corpo dos desportistas em movimento e que se inseriam diretamente na paisagem urbana.

Na ocasião, o artista comemora também os dez anos da Casa Amarela, espaço cultural situado no Morro da Providência, idealizado e inaugurado por JR em 2009. Nessa casa de três andares, encravada na perigosa fronteira disputada por traficantes e policiais, crianças recebem aulas de reforço de inglês, artes, leitura, música e fotografia. A equipe de JR acaba de inaugurar uma estrutura em forma de lua crescente, hoje o ponto mais alto da favela, de onde se vê a cidade e onde poderão se hospedar artistas convidados para dar aulas aos pequenos.

A Casa Amarela é financiada por doações anônimas de particulares e com o dinheiro que JR ganha com suas intervenções privadas e legais. Esse 1% de seu trabalho movimenta dezenas de milhares de dólares: uma única foto dele, montada em alumínio, foi vendida por 25.000 dólares pela casa de leilões de arte Sotheby’s. O cachê que cobra pelos trabalhos sob encomenda, como as fotos gigantes de atletas que instalou no Rio, não é divulgado, mas projeta-se na caso do milhão.

JR pisou na Providência pela primeira vez em 2008 em busca de um lugar para expandir seu projeto Women are Heroes (as mulheres são heroínas), que já tinha intervenções na Libéria e no Quênia. Semanas antes, três meninos do bairro haviam sido sequestrados por militares e entregues como troféu a traficantes de uma favela rival. Foram torturados e assassinados.

JR e sua equipe cobriram a enorme escada que atravessa a parte alta da favela, território de disputa entre traficantes e policiais, com a imagem da avó de um dos meninos assassinados. Os moradores a reconheceram e entenderam o poder do papel e da cola. Eles, na verdade, queriam falar e ninguém parecia dar atenção. Até os traficantes permitiram que o francês passasse 25 dias cobrindo suas fachadas de tijolo com os rostos doloridos das mães, amigas e avós daqueles meninos, mulheres anônimas que só queriam um bairro melhor. As fachadas das casas da Providência ganharam as faces das suas moradoras e a atenção da mídia.JR-ART.NETo morro da Providência ganhou manchetes que iam além da violência e da miséria.

A arte transforma, a arte salva!

Fotos divulgação


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